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quarta-feira, 29 de março de 2017

Primeira Geração Modernista


A primeira geração modernista ou primeira fase do modernismo no Brasil é chamada de "fase heroica" e se estende de 1922 até 1930, ou seja, até quando começa a segunda fase do modernismo.

O modernismo foi um movimento artístico, cultural, político e social bem amplo, o qual fora dividido em três fases, posto que cada uma apresentava suas singularidades, de acordo com o contexto histórico inserido.

Entenda mais sobre o movimento: Modernismo no Brasil.
Resumo

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi, sem dúvida, o marco inicial da estética moderna no Brasil.

Esse evento, ocorrido em São Paulo no Teatro Municipal durante os dias 11 a 18 de fevereiro de 1922, representou uma ruptura com os padrões artísticos tradicionais, de forma que os artistas envolvidos tinham como principal intuito apresentar uma estética inovadora, pautada nas vanguardas artísticas europeias (cubismo, futurismo, expressionismo, dadaísmo, surrealismo, etc.), iniciadas a partir do final do século XX.

Os artistas modernistas que merecem destaque nessa primeira fase é denominado de “Grupo dos Cinco”, composto pelos escritores Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954), Menotti Del Picchia (1892-1988) e as pintoras Tarsila do Amaral (1886-1973) e Anita Malfatti (1889-1964).

Importante lembrar que muitos artistas foram estudar na Europa, sobretudo em Paris (centro irradiador cultural e artístico da época) e trouxeram inovações no campo das artes.

Ainda que estivessem características das vanguardas europeias, o evento buscava apresentar uma arte mais brasileira (brasilidade) e por esse motivo, a primeira fase priorizava o nacionalismo, portanto a cultura e a identidade do Brasil.

O evento, composto de apresentações de dança, música, exposições e recitação de poesias, chocou grande parte da população brasileira, por estar avesso ao tradicionalismo vigente estabelecendo assim, novos paradigmas de arte.


Uma importante característica desse período de afirmação nacional foi a disseminação de diversos grupos e manifestos, além das revistas que auxiliaram na divulgação dos ideais modernos.

Dos grupos modernistas destaca-se:
Pau-Brasil (1924-1925).
Verde-amarelismo ou Escola da Anta (1916-1929).
Movimento Antropofágico (1928-1929).

Das Revistas divulgadoras dos ideais modernistas as principais foram: a Revista Klaxon (1922-1923) e a Revista de Antropofagia (1928-1929).
Contexto Histórico

O modernismo foi um movimento artístico e literário que surge em muitos países no final do século XX. Ele nasce no período denominado entre guerras, posto que a primeira guerra mundial ocorreu de 1914 a 1918 e a segunda de 1939 a 1945.

No Brasil, o período vigente é a primeira fase da República, chamado de República Velha (1889-1930), a qual esteve marcada pelas oligarquias cafeeiras (São Paulo) e as oligarquias do leite (Minas Gerais).

Nesse momento, as oligarquias dominavam a cena política se alternado no poder e impedindo a eleição de indivíduos de outros estados.

Ademais, a queda da bolsa de Nova York, em 1929 resultou numa grande crise mundial, refletida nas sociedades de diversos países, que faria despontar a segunda guerra mundial e os governos totalitários que surgiram: nazismo, fascismo, franquismo e salazarismo na Europa.
Características

As principias características da primeira geração modernista são:
Nacionalismo crítico e ufanista;
Valorização do cotidiano;
Resgate das raízes culturais brasileiras;
Críticas à realidade brasileira;
Renovação da linguagem;
Oposição ao parnasianismo e ao academicismo;
Experimentações estéticas;
Renovações artísticas;
Ironia, sarcasmo e irreverência;
Caráter anárquico e destruidor;
Uso de versos livres e brancos.
Autores e Obras

Além do “Grupo dos Cinco” (Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti) na primeira geração modernista outros artistas se destacaram:
Graça Aranha (1868-1931): escritor e diplomata brasileiro, sua obra de maior destaque é “Canaã” (1902).
Victor Brecheret (1894-1955): escultor ítalo-brasileiro. O “Monumento às Bandeiras” (1953), na cidade de São Paulo é, sem dúvida, sua obra mais importante.

Plínio Salgado (1895-1975): escritor, político e jornalista brasileiro e fundador do movimento nacionalista radical denominada “Ação Integralista Brasileira (1932), sua obra mais emblemática do período é “O Estrangeiro”, publicada em 1926.
Ronald de Carvalho (1893-1935): poeta e político brasileiro, publicou em 1922 “Epigramas Irônicos e Sentimentais”.
Guilherme de Almeida (1890-1969): escritor, jornalista e crítico de cinema brasileiro, publicou em 1922 a obra “Era Uma Vez…”.
Sérgio Milliet (1898-1966): escritor, pintor e crítico de arte brasileiro, publicou em 1927 a obra “Poemas Análogos”.
Heitor Villa-Lobos (1887-1959): maestro e compositor brasileiro, Villa Lobos é considerado o maior expoente da música moderna no Brasil. De suas composições com traços modernos destaca-se “Amazonas e Uirapuru” (1917).
Cassiano Ricardo (1895-1974): escritor e jornalista brasileiro. De sua obra destaca-se o poema indianista e nacionalista, publicado em 1928, “Martim Cererê”.
Tácito de Almeida (1889-1940): escritor, jornalista e advogado brasileiro, foi colaborador da Revista Klaxon onde publicou diversos poemas. Em 1987, foi publicado uma seleção de poemas na obra: “Túnel e Poesia Modernista 1922/23”.
Di Cavalcanti (1897- 1976): pintor brasileiro, considerado um dos mais importantes representantes da primeira fase modernista. Foi ilustrador da capa do “Catálogo da Semana de Arte Moderna”, destacando-se com sua obra “Pierrot” (1924).
Lasar Segall (1891-1957): Nascido na Lituânia mudou-se para o Brasil em 1923. Foi pintor e escultor de influência expressionista, sendo suas obras mais representativas: o “Retrato de Mário de Andrade” (1927) e "Auto-retrato" (1933).
Alcântara Machado (1901-1935): escritor, jornalista e político brasileiro, destaca-se sua coletânea de contos intitulada “Brás, Bexiga e Barra Funda”, publicada em 1927.
Vicente do Rego Monteiro (1899-1970): poeta, pintor e escultor brasileiro, dentre suas obras temos: “Mani Oca (O nascimento de Mani)” (1921) e “A Crucifixão” (1922).

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