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terça-feira, 28 de junho de 2016

MEIO-DIA



MEIO-DIA


Meio-dia. Sol a pino. 
Corre de manso o regato. 
Na igreja repica o sino; 
Cheiram as ervas do mato. 

Na árvore canta a cigarra; 
Há recreio nas escolas: 
Tira-se, numa algazarra, 
A merenda das sacolas. 

O lavrador pousa a enxada 
No chão, descansa um momento, 
E enxuga a fronte suada, 
Contemplando o firmamento. 

Nas casas ferve a panela 
Sobre o fogão, nas cozinhas; 
A mulher chega à janela, 
Atira milho às galinhas. 

Meio-dia! O sol escalda, 
E brilha, em toda a pureza, 
Nos campos cor de esmeralda, 
E no céu cor de turquesa... 

E a voz do sino, ecoando 
Longe, de atalho em atalho, 
vai pelos campos, cantando 
A Vida, a Luz, o Trabalho.

© OLAVO BILAC 
In Poesias Infantis (2ª Ed.), 1929 

"Como Amamos?" por Sylvio Schreiner


A famosa frase e recomendação bíblica “Ame o próximo como a si mesmo” é repetida incontáveis vezes por variadas pessoas. Parece se tratar de algo muito simples e fácil e que só requer uma pequena dose de força de vontade. Que engano! Viver verdadeiramente isso requer um nível de sutileza elaborado e todo um refinamento interno. Amar o outro como nos amamos demanda uma boa autoestima e infelizmente são poucos que possuem uma verdadeira autoestima.

Talvez possamos pensar que, de forma geral, existem três maneiras que se é possível amar e cada maneira tem a ver com o desenvolvimento psíquico do indivíduo. O primeiro tipo de amor é o amor infantil que é por natureza extremamente carente e egoísta. Tal como visto em bebês e crianças pequenas, esse amor se caracteriza por exigir atenção desmedida de quem está ao seu redor. Psiquicamente uma criança pequena só pode existir chamando toda atenção para si mesma e de fato ela precisa de enormes cuidados senão corre risco de não sobreviver e nem aprender a se amar.

O segundo modo de amar é o amor de troca. Para a mente do adolescente esse tipo de amor já é possível. Nele amamos quem nos ama, quem nos faz algo de bom e nos oferece alguma coisa de valor. Quando essa condição acontece o adolescente é capaz de amar de volta, em retribuição. É menos egoísta que o primeiro tipo de amor, mas mesmo assim é um amor limitado. Já a terceira forma de amar é a do amor desinteressado que não espera receber nada e ele não existe apenas porque uma dada condição foi atingida, existe por si só e se alimenta do próprio amor que é capaz de gerar. Só que desenvolver esse tipo de amor exige uma autoestima bem estabelecida, pois é um fato que quem não é capaz de se amar não tem como oferecer esse tipo de amor para fora de si mesmo, ou seja, fica incapacitado de amar verdadeiramente os outros.

Quando a recompensa de se amar vem do próprio ato de amar estamos falando de um amor maduro e de uma pessoa que é capaz de “transbordar” para fora de si o amor que sente por si mesma. A capacidade e a maneira de amar é tão importante porque revela como anda o desenvolvimento psíquico de cada um. É egoísta, é de troca ou é desinteressado? Muitos param num dos dois primeiros tipos de amor e não conseguem seguir adiante em seu desenvolvimento. Compreensível já que real autoestima é difícil de conquistar, mas é uma pena já que sem ela ninguém vai poder de fato amar o próximo como a si mesmo. Vai ser sempre um amor parcial. 


Obs.:Sou fã dos escritos de Sylvio, e compartilho aqui para nossa reflexão, se quiser saber mais sobre o autor é só clicar em seu nome.

Prosseguir, mesmo depois da pausa


Depois da pausa é inevitável a vontade de ficar um pouquinho mais deslumbrada com os horários livres, mas a rotina também faz parte do Universo,
e volto para colocar a casa em dia.
e memorizar quem sou.
Estava com saudades de nossa canção!
Beijos,
Aline Carla Rodrigues.

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