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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Turismo de narrativa pode ser o caminho para a preservação do Pantanal


João Sergio Barros Freitas De Souza/Sua Foto



Onça-pintada nas margens do rio Cuiabá, no Pantanal.



A afirmação é do especialista em turismo e economista, Claudio Moura Castro, que visitou o Pantanal de Cáceres, no Mato Grosso, para ministrar uma palestra sobre os possíveis caminhos para o desenvolvimento do turismo na região. “O Pantanal é um dos últimos refúgios da natureza e, ao contrário da Amazônia, possui uma paisagem dinâmica e variada. É um dos poucos lugares do mundo capaz de rivalizar com a África em potencial de observação da vida animal”, afirma Castro. “O que falta a região para desenvolver sua potencialidade turística é que os empresários e agentes públicos apreendam a embalar as possíveis histórias que o Pantanal tem a oferecer”.

O turismo de narrativa agrega a experiência de ir a outro lugar ao enredo que representa uma viagem. O guia turístico seria o condutor do viajante por essa jornada, o transportando para um outro mundo através das histórias e possibilidades de um destino.

Para o Pantanal, uma região rica em biodiversidade, mas que ainda tem índices de desenvolvimento muitas vezes abaixo da média nacional, essa nova modalidade de turismo pode ser um caminho possível. Aproveitar as potencialidades da natureza e da cultura pantaneira pode ajudar a atender a demanda da população local de emprego e renda, sem que seja necessário degradar esse ecossistema.

Um dos principais mentores da ideia do turismo com narrativa foi o dinamarquês Rolf Jensen que escreveu A sociedade dos sonhos, onde descreve sobre a necessidade de se criar uma customização dos serviços oferecidos. Essa nova roupagem e vínculo, gerados a partir de uma experiência memorável do consumidor, impactam inclusive o preço do serviço oferecido.


Uma piúva exibe suas flores no Pantanal matogrossense - Foto: Roberto Okamura/Sua Foto



Jensen aplicou a proposta no Brasil por meio do projeto “Turismo de Experiência”, desenvolvido pelo Sebrae com a sua consultoria. A proposta é fazer com que o viajante mergulhe nos costumes e tradições de uma região e vá além das visitas a pontos turísticos conhecidos.

O turista deixa de ser um observador do lugar e torna-se um protagonista das experiências. Algo como acompanhar uma colheita de açaí no Pará ou degustar vinhos nas vinícolas do Rio Grande do Sul. Uma tendência que já acontece em países como Itália e Peru, onde os visitantes participam da coleta de trufas e da produção de quinoa.

O maior obstáculo do Pantanal seria o fato de poucos brasileiros conhecerem esse ecossistema. Uma pesquisa do Ibope/WWF-Brasil revelou que 66% das pessoas não sabem apontar em qual região no Brasil fica o bioma Pantanal. “Essa é uma clara desvantagem na hora do turista se programar para uma viagem, porém pode ser uma vantagem também, pois cria a oportunidade do Pantanal ser descoberto ou redescoberto, como já ocorreu com regiões como Tiradentes, em Minas Gerais”, explica Castro.

Há vinte anos atrás, a cidade mineira quase não recebia turistas, porém, com a criação de uma estrutura receptiva mínima, passou a ser revisitada. “Trazer mais turistas para o Pantanal não é algo complicado, pelo contrário é mais simples do que se imagina, basta que alguns serviços básicos que o turista espera sigam os padrões internacionais”, afirma Castro. Até a ideia de que a região é muito distante parece ser um mito. “Tão longe como Foz do Iguaçu e Fernando de Noronha, e mesmo assim as pessoas visitam essas regiões”, explica.


Casal de araras-azuis e seu filhote (esquerda) no Pantanal - Foto: Andrew Whittaker/Sua Foto

“O grande atrativo é a natureza extraordinária do Pantanal, não há necessidade de se criar nada complexo. A região já tem uma grande biodiversidade, paisagens únicas e pode oferecer grandes experiências para um viajante”, afirma Douglas Trent, pesquisador-chefe do Projeto Bichos do Pantanal, patrocinado pela Petrobras e que tem ações para transformar o turismo de natureza em uma ferramenta de crescimento econômico e de preservação do Pantanal. Uma das ações coordenadas por Trent, através do Projeto Bichos do Pantanal, é a criação de uma nova rota turística na região de Cáceres, no Mato Grosso: a Estrada Transpantanal.

A proposta é que a rota seja um complemento ao turismo de pesca que já ocorre na região e um indutor a uma nova forma de se receber os viajantes no Pantanal. “O turista quer ser bem recebido, ter acesso a acomodações e fazer refeições condizentes com o padrão internacional. Essa infraestrutura mínima, somada a natureza da região, pode levar as pessoas a redescobrirem e consolidarem o Pantanal com um grande atrativo”, diz Trent. “Para isso acreditamos que a formação de guias é um passo fundamental. As pessoas da região precisam agregar o seu saber local, a fluência no inglês e, também, aprenderem a atender os padrões mundiais do turismo de observação de vida silvestre”, conclui.

As cidades de Gramado e Canelas, no Rio Grande do Sul, e Bonito, no Mato Grosso do Sul, são exemplos de que com algum investimento e planejamento, o turismo pode virar um forte contribuinte para a economia local. “Gramado por exemplo é um atrativo que investiu fortemente no enredo local, com um grande apelo para a cultura da Serra Gaúcha e a gastronomia. No Pantanal, isso tudo já existe também, basta que as pessoas aprendam a embalar esses atrativos todos com bons serviços de hospedagem, transporte e alimentação”, conclui Castro.

Fonte:http://viajeaqui.abril.com.br/materias/turismo-de-narrativa-pode-ser-o-caminho-para-a-preservacao-do-pantanal?utm_source=redesabril_viagem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_ngbrasil

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