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A ARTE RENOVA O OLHAR!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Noite maravilhosa! A solenidade de posse dos membros da Diretoria da ACIL foi espetacular!






A Academia Itaperunense de Letras - ACIL- fez a solenidade de posse dos membros da Diretoria eleita para o biênio 2011/2012, nesta noiteno Salão Nobre da Unimed, em  Itaperuna.

Nova Diretoria:

Presidente: Ábia Dias Pereira

Vice- Presidente: Flora Malta Carpi

Secretária: Natália Dias Boechat

Tesoureiro: Marina Caraline de Almeida Carvalhal

Bibliotecário: Valber Meireles


Parabéns por proporcionarem ao povo itaperunense cultura e arte!

A ideia de Einsten que foi além do tempo, do tempo espaço.

“É impossível caminhar por uma avenida, conversar com um amigo, entrar em um edifício, relaxar sob os arcos de arenito de uma velha arcada, sem ver um instrumento de medição do tempo. O tempo é visível em todos os lugares. Torres de relógio, relógios de pulso, sinos de igrejas dividem os anos em meses, os meses em dias, os dias em horas, as horas em segundos, cada incremento de tempo marchando atrás de outro em perfeita sucessão. E, além de qualquer relógio específico, uma vasta plataforma de tempo, que se estende por todo o universo, estabelece a lei do tempo igualmente para todos. Neste mundo, um segundo é um segundo é um segundo. O tempo avança com exuberante regularidade, com exatamente a mesma velocidade em todos os cantos do espaço. O tempo é soberano infinito. O tempo é absoluto”.

UFRJ acaba com o vestibular e selecionará pelo Enem

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu nesta quinta-feira acabar com o vestibular na instituição. A partir de 2012, todas as vagas serão preenchidas a partir da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Do total de vagas, 30% serão reservadas para alunos de escolas públicas. A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário.
No ano passado, a universidade optou por adotar cotas pela primeira vez. Vinte por cento das 9060 vagas foram destinadas a estudantes de escolas públicas, 40% foram preenchidas pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU) – que seleciona alunos de acordo com o desempenho no Enem – e as outras 40% pelo vestibular tradicional da universidade. O vestibular, que agora será extinto, teve 43,52% de abstenção. Mais de 40 mil candidatos não compareceram aos locais de prova do total de 92.013 inscritos.

O Enem deste ano ocorrerá nos dias 22 e 23 de outubro e teve número recorde de estudantes inscritos: 6.221.697. 

Conheça a arte da radiografia


 Radiografia Fotografia Raios X Pintura Arte Flores Plantas Cor Albert Koetsier
É sabido há mais de duzentos anos que a película fotossensível produz imagens a que chamamos fotografias quando exposta à luz. Essas imagens são o resultado da interacção dos fotões que compõem a luz visível com a substância que reveste a película; daí o seu nome. No final do século XIX Roentgen descobriu que os Raios X não somente atravessavam corpos opacos como impressionavam igualmente a película fotográfica. Estas propriedades foram de imediato aproveitadas pelos cientistas para produzir radiografias que, desde então, têm sido usadas no âmbito quase exclusivo da medicina.
Durante os primeiros anos de utilização dos Raios X os cientistas fizeram algumas experiências com fins meramente estéticos, como o dr. Dain Tasker, um médico americano que realizou diversas radiografias de flores e plantas. Consideradas então como simples curiosidade sem valor, essas imagens permaneceram guardadas e esquecidas até serem resgatadas pela sua intrínseca qualidade fotográfica e artística. Recentemente foram vendidas em leilão em Nova Iorque, onde atingiram somas astronómicas.
A estrutura e composição dos seres vegetais torna-os especialmente fotogénicos nas radiografias e Tasker pressentiu-o. Usou radiografias de alta precisão, compôs arranjos vegetais com sentido artístico e tirou partido das formas e transparências. Actualmente existem diversos artistas que se dedicam à arte de desenhar com a luz. Facto curioso, são quase sempre dentistas ou médicos que têm acesso a equipamento de Raios X. Não se contentando com o simples registo do reflexo da luz nos objectos, preferem captar o efeito produzido pela sua viagem através deles.
Um desses artistas é o holandês Albert Koetsier, técnico de Raios X e fotógrafo amador. Koetsier foi além dos negativos das radiografias de flores e plantas e transformou-os em positivos. Após uma selecção elimina aqueles que apresentam imperfeições, manchas ou sobre-exposições - é frequente aproveitar um em cada dez. Seguidamente pinta-os com as mesmas tintas com que há um século atrás se coloriam os postais ou as fotografias a preto e branco. O resultado é uma combinação entre a imagem analítica dos Raios X e o toque da cor aplicada manualmente, entre arte e técnica.
Um ar retro a lembrar também algumas gravuras orientais. Julguem-no.
 Radiografia Fotografia Raios X Pintura Arte Flores Plantas Cor Albert Koetsier
 Radiografia Fotografia Raios X Pintura Arte Flores Plantas Cor Albert Koetsier
 Radiografia Fotografia Raios X Pintura Arte Flores Plantas Cor Albert Koetsier
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 Radiografia Fotografia Raios X Pintura Arte Flores Plantas Cor Albert Koetsier
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Rumos Jornalismo Cultural

As inscrições para o Rumos Jornalismo Cultural 2011-2012 foram prorrogadas de 15 de julho para 29 de julho.

artes visuais jornalismo cultural educacao            
Imagem: Renan Magalhães

Para se inscrever, professores de graduação e pós-graduados de comunicação social precisam pelo menos dois anos de docência e devem enviar textos que tratem das relações entre a academia e as empresas jornalísticas – não necessariamente um caso consolidado, pode ser uma simples reflexão –, com foco na formação de futuros jornalistas.
Já estudantes de graduação precisam estar cumprindo de 30% a 60% dos créditos curriculares e devem produzir reportagens culturais para mídia impressa, sonora, audiovisual ou web.
Faça sua inscrição gratuitamente no site Itau Cultural

quarta-feira, 29 de junho de 2011

MATISSE



                                                                                            A tristeza do rei (1952)




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Parece irônico falar de Matisse, apelidado o mestre da cor, mostrando uma fotografia a preto e branco. Durante toda a sua vida o pintor dedicou todos os seus esforços a trabalhar a cor - eu sinto através da cor, terá dito. Descobriu esta sua vocação quando lhe ofereceram uma caixa de cores para se entreter durante a convalescença de uma operação ao apêndice, tinha então 20 anos. Na época de convulsões e temores que atravessou, paradoxalmente pintou a alegria, a beleza e a harmonia. Ao longo de anos captou estes temas no papel através do desenho que depois preenchia com cores lisas e vibrantes.
Em 1941 é-lhe diagnosticada uma doença incurável que o vai incapacitar cada vez mais para a pintura, ele que riscava directamente nos grandes espaços com o pincel! Matisse não se conforma com a sua incapacidade. Descobre então um novo meio de expressão ao seu alcance: o recorte. Nas suas mãos, a tesoura desenha linhas ondulantes em papeis previamente coloridos com guache. O artista prescinde do desenho e desenha diretamente na cor. O resultado é surpreendente... Frequentemente deitado ou numa cadeira de rodas, o velho doente arranjou uma maneira de contrariar o destino e, ainda assim, atingir o ápice da sua carreira - a síntese das sínteses!
Divertimento de um velho paralítico, frivolidades infantis... que interessa? As formas recortadas de Matisse são diferentes de tudo o que até então se vira. Não são as colagens cubistas, o vocabulário abstracto de Kandinsky nem os signos biomórficos de Jean Arp. São um constante regresso à infância, como disse Baudelaire sobre o Gênio. Em 1947 publica uma coletânea destes trabalhos a que chama sintomaticamente "Jazz - improvisos cromáticos e cadenciados". Improvisos semelhantes aos que executaria Charlie Parker no saxofone...
A tristeza do rei (1952) terá sido a sua última realização, o adeus à vida, às coisas do mundo que o rodeia e a tudo o que lhe era querido, reunindo tudo nesta obra derradeira como que para se fazer enterrar com ela, à maneira dos faraós do antigo Egito. O rei, vestido de negro com uma viola na mão, seria o próprio Matisse.
 Matisse Recortes Colagens Guache Papel Tesoura Cor Jazz Pintura
O Tobogã (1943)
 Matisse Recortes Colagens Guache Papel Tesoura Cor Jazz Pintura
O Palhaço (1943)
 Matisse Recortes Colagens Guache Papel Tesoura Cor Jazz Pintura
A Lagoa (1944)
 Matisse Recortes Colagens Guache Papel Tesoura Cor Jazz Pintura
Nu azul (1952)


Escrito por Seven

Fonte: Obviousmag


A delicadeza do trabalho da artista Margaret Mee que registrou a exuberância amazônica

Flor-da-lua, pintada em momento único por Margaret Mee

Uma senhorinha de cabelos branco rebeldes, curvadinha e com um sorriso quase esculpido no rosto, fica difícil catalogá-la. Quase inumana, Margaret Mee (1909 -1988) parece mais uma figura elementar, uma fada etérea, beirando a transparência.

Bem inglesa, é mais fácil imaginá-la tomando uma xícara de chá em seu estúdio, cortinas esvoaçantes, enquanto faz correr lépidas suas mãozinhas engenhosas e divinamente dotadas sobre o papel aquarela.

Cheios de detalhes e preciosos ao extremo, seus desenhos de natureza supracientífica rivalizam em pé de igualdade com o bom gosto e o apuro técnico que o resultado final evoca.

No entanto, essa fragilidade toda esconde uma força da natureza, uma vontade maior que o físico, uma curiosidade ferrenha e uma determinação desconcertantes, quase missionária.

Margaret Mee percorreu o mundo atrás de seus modelos. Sua vida foi viajar atrás de espécies da flora e também fauna e registrá-los em desenhos acadêmicos que parecem de um tempo suspenso, eterno por seu classicismo.

Por exatos 32 anos, Margaret visitou a selva amazônica para registrar sua exuberância e variedade. Corajosa, enfrentou rios sinistros, índios, insetos, cobras e por aí vai.

Tinha obsessão pelo único, a ponto de planejar uma viajem específica para registrar a Selenicereus wittii ou flor-da-lua, raríssima que brinda os olhos e a natureza com uma floração noturna, de apenas algumas horas. Conseguiu! 
Fonte: Elisa Stecca

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quando Assim - Núria Mallena


Quando Assim                                                                                            Núria Mallena
Quando eu era espera
Nada era, nem chovia
Nem fazia
Só sentir que a calma
Não acalma
Quando só há solidão

Quando eu era estrela, era inteira
Na mentira que eu dizia
Ser o que não era convencia
Dentro da minha ilusão

Quando eu fui nada
Faltou nada, tudo pronto pra escrever...

Eu não sabia buscar
Foi quando apareceu
O que eu quis inventar
Pra preencher o meu
Mundo particular

No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu
Já sei dizer que o amor
Pode acordar

Eu não sabia buscar
Foi quando apareceu
O que eu quis inventar
Pra preencher o meu
Mundo particular

No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu
Já sei dizer que o amor
Pode acordar...

Toda terça tem no TRIBARTE questão de Arte em vestibulares.

Ano 3, n. 6, ano 2010
                                                                      


Os monumentos históricos possuem relação com a memória, de modo a destacar imagens e valores para a identidade coletiva de povos e sociedades. As fotos acima retratam monumentos históricos brasileiros produzidos em épocas distintas. A comparação entre ambos evidencia uma mudança refererente à identidade nacional brasileira.
Essa mudança está mais claramente vinculada à valorização da:
(A) tradição democrática
(B) integração territorial
(C) miscigenação racial
(D) diversidade étnica

Alternativa correta: (D)
Eixo interdisciplinar: Política e Cultura
Item do programa: Processo sócio-histórico de constituição da sociedade brasileira
Subitem do programa: Cultura e identidade nacional
Objetivo: Identificar alteração nos valores da identidade nacional brasileira na contemporaneidade.
Comentário da questão:
O monumento dedicado às bandeiras paulistas, de 1953, e o referente a Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, inaugurado em 1986, indicam ênfases particulares quanto à comemoração de episódios da história brasileira: a importância do desbravamento territorial e o reconhecimento de manifestações de resistência à escravidão. Denotam, dessa forma, uma alteração nos valores de caracterização da identidade nacional brasileira em que as ações de diversos grupos sociais e étnicos passam a desfrutar de igual importância, nas suas variadas contribuições e heranças.

Nível de dificuldade: Médio (acima de 30% e igual ou abaixo de 70%)
Fonte:Revista Vestibular da Uerj

A ARTE DA VIDA

Não é preciso estar em um museu para contemplar uma obra.
                                       Ao seu redor há um mundo feito de arte.



Existe uma célebre frase, atribuída ao líder indiano Mahatma Gandhi, que diz algo como: "A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte". Essa ideia é discutida não apenas por quem pensa o comportamento humano, mas também por artistas e por quem reflete o papel da arte no nosso cotidiano. Não se trata de questionar apenas o que é a arte e sim onde ela está e de que maneira diz respeito a nós, espectadores.

O artista brasileiro Hélio Oiticica foi um dos principais responsáveis por tirar essa discussão do meio acadêmico e trazê-la para o grande público. No início da década de 1960, ele publicou o texto "O Museu É o Mundo", no qual questionava o lugar da arte. Até então se falava apenas nas quatro paredes de um museu. Para Hélio, não era preciso entrar em um para vê-la. Ela estaria no dia a dia, nas ruas, nas casas, nas atitudes, no mundo. "Pretendo estender o sentido de ´apropriação` às coisas do mundo com que deparo nas ruas. Isto seria um golpe fatal ao conceito de museu, galeria de arte etc., e ao próprio conceito de exposição - ou nós o modificamos ou continuamos na mesma. Museu é o mundo; é a experiência cotidiana", escreveu Oiticica em 1966. Curiosamente, a curadora Lisette Lagnado lembra que, ao mesmo tempo que o brasileiro falava dessa experiência aqui, nos Estados Unidos outro autor dizia exatamente o contrário: o mundo é um museu, defendendo o caráter estático da arte.

E o que isso quer dizer? Para Oiticica, tudo ao nosso redor poderia ser uma obra de arte. Parece meio estranho pensar isso em relação a um lápis ou um chaveiro jogado na mesa, mas a ideia está longe de ser tão simplista. "Para o artista, o dia a dia de alguém pode ser uma obra de arte. É só descondicionar seus hábitos, como beber um copo de água de uma maneira diferente", observa Paula Braga, crítica de arte e autora do livro Fios Soltos: A Arte de Hélio Oiticica (Perspectiva, 2008).

Oiticica mostrava que as coisas estão ali, no mundo, prontas para ser experimentadas e se tornar arte. Com a série de trabalhos chamada Bólides (a partir de 1963), ele deixou essa marca bem clara. Trata-se de recipientes simples (caixas, sacos, latas, bacias) com materiais elementares e manipuláveis que induzem à experimentação. O Bólide Lata-Fogo, por exemplo, mostra que a lata pegando fogo não precisa estar dentro de um museu para se tornar arte. Ela está no mundo, na vida. E é arte porque toca, chama atenção.

Nós no papel de artistas
Ao desenrolar o conceito de que o museu está por toda parte, outra noção veio à tona: a de que o público não seria apenas um espectador que vê passivamente a obra, e que a arte só se concretiza quando existe integração.

Segundo o próprio Oiticica, "o participador lhe empresta os significados correspondentes - algo é previsto pelo artista, mas as significações emprestadas são possibilidades suscitadas pela obra não previstas, incluindo a não participação nas suas inúmeras possibilidades também". Ou seja, o artista nunca sabe ao certo qual resultado a obra terá, tudo vai depender de quem participa dela.

De certa forma, esse conceito se aproxima da pedagogia proposta por Paulo Freire, que criticava a passividade do aluno perante o professor, o qual seria o detentor do conhecimento. Freire acreditava que o professor deveria propor seu conhecimento aos estudantes, assim como Oiticica propunha sua obra ao público. O resultado final aparecia quando ocorria a chamada integração entre as duas partes.

Integrar, no caso da arte, significa usar todos os sentidos e não apenas a visão - assim, os trabalhos de Oiticica ultrapassam a mera contemplação das obras ao misturar a visão ao olfato, ao tato, à audição e ao paladar. Nesse ponto, uma referência importante foi o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, que afirmava que nossa percepção do mundo se dá por meio da integração dos cinco sentidos e não de cada um separadamente. Oiticica ampliou a ideia: não existe a audição sozinha, nem o tato sozinho e assim por diante. Da mesma maneira, não existe a arte sozinha, nem a política, nem a sociologia. Tudo está misturado. É como se perguntava o sociólogo francês Roland Barthes: "A que distância devo me manter de meus semelhantes para construir com os outros uma sociabilidade sem alienação?"

"Com os Núcleos, de 1960-1963, espaços definidos por planos ortogonais dependurados do teto por fios, Oiticica inaugurou a construção de um espaço de cor que podia ser penetrado pelo espectador. Daí o termo penetráveis, que o artista usaria até o final de sua carreira. Esses ambientes exigem mais do que um espectador: a obra só faz sentido quando experimentada, habitada", diz Paula Braga.

Quem experimenta e quem habita? Ora, o corpo. Oiticica passou a ter um contato diferente com o próprio corpo ao começar a frequentar o Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. Teve aulas de dança e tornou-se passista da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Descobriu que seu corpo era muito mais do que um mero receptor de estímulos sensoriais, ele era parte do ambiente. Foi daí que nasceu sua mais famosa série de obras, os Parangolés, feitos a partir de 1964, os quais exigem um corpo que dança e se movimenta.

Diversos artistas têm bebido dessas referências para compor suas obras. Marcelo Cidade, por exemplo, usou na intervenção Eu-Horizonte seu próprio corpo como matéria-prima para reivindicar um horizonte na capital paulista. Até que ponto um horizonte é importante no contexto urbano? Em uma performance, o artista aparece nu, suspenso, em uma movimentada esquina da zona leste de São Paulo. Apesar de admitir a referência dos anos 1960, Marcelo acredita que se Oiticica estivesse vivo a discussão seria outra. "Naquela época, tratava-se de um mundo polarizado, entre ideologias de direita e esquerda. Atualmente, discutimos como podemos viver eticamente", afirma.

Aonde então chegariam os conceitos "oiticiquianos" hoje? De que maneira eles conduziriam a relação da arte no mundo, da participação do indivíduo, da coautoria? Será que qualquer um poderia vir a ser um artista do seu próprio dia? Não se sabe ao certo. Oiticica deixou essas questões em aberto. "Hélio imaginava a arte como um elástico, que sempre pode ser esticado para um lado que ainda não foi", explica Paula Braga. Talvez esse lado seja justamente uma obra em aberto, como ele deixou, prestes a ser construída por algum de nós.




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Fontes
Matéria: Mariana Sgarioni - Itaucultural 

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