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quarta-feira, 13 de abril de 2011

“A Dra. Nise da Silveira é a mulher do século XX no Brasil, por ter dado uma visão mais humana e inovadora da loucura como expressão da riqueza subjetiva de pessoas que são consideradas deficientes mentais ou portadoras de distúrbios psíquicos. A Dra. Nise nos ensina a descobrir por trás de cada louco, um artista; por trás de cada artista, um ser humano com fome de beleza, sede de transcendência.”



“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.”

Quem disse a frase acima foi a Dra. Nise da Silveira, que revolucionou a psiquiatria no Brasil utilizando arte no lugar de remédios, cirurgias e choques elétricos. Mais do que ninguém, ela conheceu as profundezas do inconsciente humano e soube respeitar a realidade paralela que existe dentro de cada um de nós.
Quando os eletrochoques ainda eram uma prática corriqueira no tratamento de doentes mentais, a drª Nise da Silveira disse não e apresentou um método alternativo. 

A psicóloga passou a tratar seus pacientes a partir da arte, dando aulas de pintura, modelagem e escultura. A melhora nos quadros era tão animadora, que Nise conseguiu exportar sua experiência para outros colegas e revolucionou a psiquiatria. 

Qual é o segredo da imaginação? Liberdade.







O livro Nise – Arqueóloga dos Mares, de autoria do jornalista Bernardo Carneiro Horta. Uma das mais expressivas e fascinantes personalidades brasileiras, a psiquiatra Nise da Silveira viveu 94 anos de existência intensa e repleta de reviravoltas. Em Arqueóloga dos Mares, o autor – que conviveu com a Dra. durante 12 anos – apresenta um painel de acontecimentos marcantes de sua vida. A infância nas Alagoas do início do século XX. A chegada ao Rio de Janeiro em 1927. A prisão durante o governo Vargas, quando Nise esteve na mesma cela de Olga Benário. O encontro com o analista suíço Carl Gustav Jung, discípulo predileto e rompido de Sigmund Freud. Enfim, a consagração internacional do trabalho desta psiquiatra que mudou os rumos da medicina, no Brasil. Estes são alguns temas que fazem do livro de Horta instigante leitura, com revelações inéditas.
Nise – Arqueóloga dos Mares não pretende ser uma biografia convencional, até porque a própria Dra. se negava a escrever sua autobiografia, por considerar que a linearidade cronológica do gênero não consegue revelar o que há profundo na existência. Sendo assim, a obra foi elaborada conforme sugestão da própria psiquiatra. “Diferente da biografia, com início-meio-e-fim, o livro versa sobre a vida de Nise, mas de forma fragmentada, criativa, vital. São unidades de texto que reúnem episódios, pessoas, animais, objetos, atitudes e situações espalhados livremente. Enfim, uma narrativa livre, predispondo o leitor a criar, juntamente com o autor, a sua Nise da Silveira”, afirma Horta.
Segundo Martha Pires Ferreira – artista plástica e amiga da Dra., que colaborou com ela durante 30 anos –, “este livro nos faz percorrer preciosos caminhos, com um sabor único ao relatar o que realmente marcou e se deixou revelar da existência de Nise. Com singular habilidade literária, são registrados fatos, acontecimentos e vivências impensadas. Confirmo e testemunho tais mapeamentos sobre a Dra., por ter convivido com esta brasileira humaníssima, requintada, eterna e sábia”.
Na opinião da psiquiatra Márcia Leitão da Cunha, que também atuou com a médica, tendo sido diretora do Museu de Imagens do Inconsciente, “Nise – Arqueóloga dos Mares pode ser considerado um compêndio diferenciado: profundo, mas acessível; enigmático e, no entanto, revelador; propõe leitura séria e, ao mesmo tempo, divertida. Esta obra traz conceitos junguianos de forma clara e criativa, desvinculando-os da formalidade que a Dra. tanto combatia”.

Sobre esta personalidade, Frei Betto escreveu: “A Dra. Nise da Silveira é a mulher do século XX no Brasil, por ter dado uma visão mais humana e inovadora da loucura como expressão da riqueza subjetiva de pessoas que são consideradas deficientes mentais ou portadoras de distúrbios psíquicos. A Dra. Nise nos ensina a descobrir por trás de cada louco, um artista; por trás de cada artista, um ser humano com fome de beleza, sede de transcendência.”

5 comentários:

Eduardo disse...

Aline, justa homenagem a Dra. Nise que realmente é merecedora de nossa mais profunda admiração. Só gostaria de dizer que deveríamos deixar o estigma de que todo artista tem um pouco de loucura. Acho que temos pessoas com distúrbio psíquico que podem fazer arte, mas a grande maioria vive um processo de sofrimento profundo, dilacerante e de difícil solução. A solidariedade ainda é pequena em nosso meio e o sistema de saúde não ajuda quase nada. Quadros graves estão espalhados pelo país sem qualquer tipo de tratamento e assistência.
Um abraço!

Aline Carla disse...

Concordo plenamente com você Eduardo, o que vários artistas pos suem é uma visão que vai além de seu tempo e por isso não conseguem ser percebidos, contudo existem os seres que vão além do pó perenal que discutem o assunto e reconhecem sua observação e concepção de mundo. Obrigada por seres assim!
Um grande abraço.
E que venham outras Drª's em forma de "Nise da Silveira" para revolucionar alguns tratamentos que ainda são precários em nosso sistema de saúde.Bom fim de semana.

Anônimo disse...

Ótimo post sobre a Dra Nise da Silveira. Quero ler o livro. Humildemente compartilho com ela a idéia de que loucos são apenas diferentes daquilo que EU ou a maioria rotulou como normal. No geral são talentosos e muito criativos. Dar-lhes a oportunidade de se manifestarem por intermédio da arte seria o mínimo que nós vistos como "normais" poderíamos e deveríamos lhes proporcionar.

Anônimo disse...

Parabéns, ótimos seu blog.

Aline Carla disse...

Obrigada amigos! Compartilho também a mesma ideia da Dr.Nise.
Imenso abraço!

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